Documentário Nordestino · Lei Rouanet PRONAC 258413

De nada
em nada,tudo.

A poesia que sobreviveu ao tempo, ao esquecimento
e ao silêncio imposto sobre o Nordeste.

Média-metragem Nordeste Brasileiro Captação Ativa

Quem criou o alfabeto foram os analfabetos.

Muito se fala sobre o analfabetismo nordestino. Mas ser letrado é apenas um protocolo formal.

Ninguém nasce escrevendo. Todo mundo nasce falando.

A oralidade vem antes da escrita. Para a escrita existir, precisa antes existir a fala. Na escala de importância, a oralidade está em primeiro lugar.

Este projeto existe para provar isso.

O nosso mote

"O que permanece de uma cultura quando o mundo decide que ela não vale nada?"

"Quem não sabe de onde veio, dificilmente saberá para onde vai."

Existe uma palavra que acompanha a cultura nordestina há muito tempo: resistência. Ela aparece em discursos, livros, músicas e reportagens. Resistimos à seca. Resistimos às dificuldades. Resistimos ao preconceito. Resistimos ao esquecimento.

Mas talvez o nosso maior desejo seja que um dia essa palavra deixe de ser necessária. Que a cultura nordestina não precise mais ser defendida para existir. Que um poeta não precise provar seu valor antes de ser ouvido.

Que um menino da Paraíba conheça Pinto do Monteiro com a mesma naturalidade com que conhece Shakespeare. Que uma menina de Pernambuco reconheça Patativa do Assaré antes que alguém lhe diga que a grande literatura sempre veio de longe.

Não acreditamos que um documentário possa mudar o mundo. Mas acreditamos que a cultura muda pessoas. E pessoas mudam o mundo.

Toda transformação começa quando alguém descobre quem é.

Não queremos ensinar o Nordeste ao restante do Brasil. Antes disso, queremos reapresentá-lo aos próprios nordestinos. Porque admirar artistas de outros países nunca foi o problema. O problema começa quando deixamos de conhecer aqueles que nasceram ao nosso lado.

Este projeto existe para registrar vozes que ainda estão entre nós. Para preservar saberes transmitidos pela oralidade. Para lembrar que existe uma riqueza imensa onde muitas vezes só enxergam carência.

Não queremos construir nostalgia. Queremos construir continuidade.

Se no futuro este documentário deixar de ser necessário porque nossa poesia passou a ocupar naturalmente o lugar que merece, teremos alcançado exatamente o objetivo para o qual ele foi criado.

Porque nenhuma cultura deveria precisar resistir para continuar existindo. Ela deveria apenas existir. E ser reconhecida por aquilo que sempre foi: um patrimônio vivo.

Nós somos nordestinos. Somos cantadores, repentistas, cordelistas, pesquisadores e documentaristas.
Somos os que amam o que tem. E ponto final.

Poema
Voz do Sertão

Senhores
Críticos

Rogaciano Bezerra Leite
Assaré/Caruaru, 1920 – 1969
Recitação e adaptação: Antônio Marinho

Senhores críticos, basta

Deixai-me passar sem pejo

Que um trovador sertanejo

Vem seu pinho dedilhar

Eu sou da terra onde as almas

São todas de cantadores

Sou do Pajeú das Flores

Tenho razão de cantar

Não sou um Manuel Bandeira

Drummond, nem Jorge de Lima

Não espereis obra prima

Deste matuto plebeu

Eles cantam suas praias

Palácios de porcelana

Eu canto a roça, a choupana

Canto o sertão, que ele é meu.

 

Não pode nunca imaginar

O som que brota

Da cantiga de uma grota

Quando chuva cai por lá

O cheiro verde

Da folha do marmeleiro

E o amanhecer catingueiro

No bico do sabiá.

 

Meu verso é feito a cigarra

Num velho tronco a sonhar

Que canta uma tarde inteira

E só para quando estourar

Que eu troco tudo na vida

Pelo prazer de cantar.

 

Zefa Tereza me ensinou

Que prum caboclo

Entrar na roda de côco

Tem que saber rebolar

Soltar um verso na roda

Que se balança

E no movimento da dança

Fazer o côco rodar.

Assista

Antônio Marinho
recita Rogaciano Leite

Médio-metragem documental

O Documentário

Este não é um documentário sobre cordel. Também não é sobre repente, nem sobre um poeta específico. É sobre o fenômeno vivo de uma tradição que sobreviveu ao tempo.

O filme percorre o Nordeste registrando repentistas, cantadores, cordelistas, declamadores, pesquisadores, professores, mestres da cultura, jovens poetas e novas gerações que recebem esse legado e o transformam.

A poesia nordestina nunca pediu permissão para existir. Este documentário vai atrás dessas vozes.

Estrutura de produção
01
Captação de recursosLei Rouanet / patrocínio privado
02
Pré-produçãoPesquisa, roteiro, casting, scouting
03
RodagemNordeste brasileiro / 5 estados
04
Finalização e lançamentoFestivais e distribuição nacional
Poesia viva do Nordeste

A Poesia Nordestina

I
A tradição

Antes de ser literatura, foi sobrevivência

A poesia nordestina nasceu da necessidade de contar o que não estava escrito. O repente, o cordel, a cantoria e a declamação construíram uma das maiores tradições orais do mundo, totalmente viva e em constante transformação.

II
O presente

Ela não parou, ela nunca parou

A poesia nordestina sempre foi contemporânea sem precisar ser moderna. Hoje convive com o slam, com o rap, com as redes sociais, e mantém sua força exatamente porque sabe de onde vem. A cadeia é ininterrupta.

III
O registro

Este documentário vai atrás dessas vozes

De nada em nada, tudo. não é uma homenagem póstuma. É um encontro com poetas vivos, que hoje carregam e reinventam essa tradição. Um registro permanente do que está acontecendo agora.

Os protagonistas

Os poetas

Pinto do Monteiro/ Louro do Pajeú/ Dedé Monteiro/ Ivanildo Vila Nova/ Bráulio Bessa/ Jarid Arraes/ Cancão de Fogo/ Klévisson Viana/ Manoel Xudu/ Geraldo Amâncio/ Marquinhos da Serrinha/ Rouxinol do Rinaré/ Denilson Barbosa/ Geci Quirino/ Cida Pedrosa/ Vinícius Gregório
Mais de 120 tipos catalogados no Nordeste

Tipos de Poesia

Clique em cada tipo para ver a descrição, a métrica e um exemplo.

01
Sextilha
A forma mais popular do cordel
7 sílabas por verso, 6 linhas por estrofe. Esquema de rima ABCBDB (linhas pares rimam entre si). É a forma mais encontrada na literatura de cordel nordestino.
Poeta, cantô da rua,
Que na cidade nasceu,
Cante a cidade que é sua,
Que eu canto o sertão que é meu.
Você teve inducação,
Aprendeu munta ciença.
02
Setilha (Septilha)
7 linhas rimadas
7 linhas de 7 sílabas. Esquema ABCBDDB. Exige mais habilidade que a sextilha. Muito usada em pelejas e desafios formais.
Sou cantador do sertão
Que veio cantar pra você
No ritmo da tradição
Que o povo quer ouvê
Minha viola tá afinada
Minha voz tá preparada
Pra tudo que você quê.
03
Décima
A forma mais elaborada
10 linhas com esquema ABBAACCDDC. Estrutura nobre, exige domínio do metro e da rima. Base dos grandes desafios formais.
Dez linhas num só momento
Com rima de grande valor
O cantador que tem talento
Faz isso com todo o ardor
A primeira rima com a segunda
A terceira com a quarta, que abunda
E assim o verso se compõe
Com arte, com ciência e com fé
Nenhuma sílaba cai ao pé
Quando o cantador desempenha o que põe.
04
Martelo Agalopado
O verso que galopa
10 linhas de 10 sílabas (decassílabas) com acento na 6ª sílaba. Ritmo de galope, rápido e marcado. Um dos mais exigentes tecnicamente.
No galope do martelo agalopado
O cantador demonstra seu valor
Com dez sílabas em cada verso dado
E o ritmo firme de grande cantador
A sexta sílaba recebe o acento
Que marca o tempo e dá o galope ao canto
Com arte, com destreza e pensamento
O verso soa como um passo novo tanto
Que quem escuta fica encantado
Da rima linda do verso marcado
05
Galope à Beira-Mar
Com refrão fixo do mar
10 linhas decassílabas com refrão fixo ao final de cada estrofe. Tom solene e poderoso. Associado ao mar e ao sertão.
Na beira do mar cantando estou
Num galope de rima e emoção
O verso que o cantador compôs
Vai ecoar por toda a região
Com acento na sexta sílaba
O ritmo marca cada palavra
E o refrão ao final soa
Como onda que tudo encobre
Galope à beira do mar
É verso que não tem igual.
06
ABC
Uma letra por estrofe
Forma didática onde cada estrofe começa com uma letra do alfabeto em sequência (A, B, C...). Popular em temas históricos e educativos.
A de amor que nos une
B de boca que canta
C de cordel que encanta
D de dança que avança
E de emoção que sente
F de fé que não se cansa
07
Mourão (Quadra)
A forma mais simples
Estrofes de 4 linhas com esquema ABAB ou ABCB. É a forma mais disseminada da poesia popular, base de todo o improviso. Chamada de mourão porque firma, como um poste.
O mourão firma a cerca
O verso firma a mente
O cantador que vem de longe
Chega sempre diferente
08
Embolada
O verso que embaralha
Versos rápidos e sincopados, com jogo de sons e rimas internas. Popular em Pernambuco e Ceará. Desafia a pronúncia e a velocidade do falante.
Embolada, embolada, vou embolar
O verso que eu faço ninguém vai acompanhar
Com língua presa e boca aberta
Veja se você me acompanha na berada
09
Desafio
O duelo da improvisação
Disputa poética entre dois cantadores. Alternância de estrofes em resposta ao adversário. Improvisado ao vivo, exige memória, agilidade e criatividade instantânea.
A: Vim cantar contigo hoje
Pra mostrar que sou o melhor
B: Pode vir que tô esperando
Sou maior cantador
10
Peleja
O duelo com narrativa
Forma elaborada do desafio, com estrutura narrativa. Tem início, desenvolvimento e desfecho. Geralmente terminam com um vencedor reconhecido.
Em certa tarde de verão
Dois cantadores se encontraram
E ali no centro do sertão
A grande peleja travaram
11
Mote e Glosa
Tema e variações
Um 'mote' (verso ou quadra temática) é proposto. O cantador 'glosa' criando estrofes que obrigatoriamente terminam com o mote. Exige técnica refinada.
Mote: 'O sertão é minha morada'

Eu nasci neste chão ressecado
Cresci ao sol do sertão ardendo
E fui pelo mundo andando
Mas o sertão é minha morada.
12
Marco
A declaração de supremacia
O cantador declara sua superioridade absoluta sobre todos os outros da região. Exige coragem, técnica impecável e é geralmente aceita ou refutada pela plateia.
Sou o maior de todos os cantadores
Que já pisou neste sertão
Ninguém supera meus valores
No verso, na rima e na criação
13
Quadrão
Quadra decassílaba
Quadra (4 linhas) de versos decassílabos. Combina a simplicidade da quadra com a nobreza do decassílabo.
No quadrão o cantador se mede
Com verso firme de dez sílabas
A rima pede o que a voz cede
E o ritmo guia as palavras
14
Oitava Rima
8 linhas nobres
8 linhas em verso decassílabo, esquema ABABABCC. De origem italiana (Ariosto, Camões), foi adaptada ao cordel nordestino com maestria.
A oitava rima é forma nobre e bela
Com oito versos bem cadenciados
O cantador que a usa com ela
Deixa os ouvintes maravilhados
Dois últimos versos em parcela
Rimam juntos, emparelhados
É forma antiga que ancora
Na tradição da cantoria boa.
15
Chula
Verso de dança
Verso de 6 sílabas com rima interna. Associada a danças populares e folguedos. Ritmo dançante e festivo.
Chula bonita
Folha de fita
O povo grita
Na noite infinita
Vira e roda
É moda toda
16
Toada
Canto de saudade
Canto simples, repetitivo, de tom melancólico ou saudoso. Verso livre, sem esquema fixo, mas com melodia marcada. Popular em cerimônias e lamentos.
Toada do sertão distante
Que ecoa pela memória
De um tempo que não volta mais
Mas vive em cada história
17
Bravata
A declaração de chegada
Versos de apresentação ou desafio que o cantador usa ao chegar a uma feira ou roda. É como um cartão de visitas poético, afirmando sua presença e valor.
Aviso a quem quiser saber
Que vim cantar neste lugar
Quem quiser me desafiar
Precisa saber sofrer
18
Gabinete
A modalidade formal
Modalidade de cantoria com exigências formais rígidas: tema predefinido, metro fixo, rima obrigatória. O cantador demonstra domínio técnico total.
No gabinete formal
O cantador demonstra valor
Com estrofe estrutural
De grande cantador
19
Rojão
O verso rápido
Improviso em versos curtos e rápidos. Tom de brincadeira, de provocação ou de desafio leve. Popular nas rodas de folguedo.
Rojão no rojão
Vira no virão
O verso rodando
No rojão ferrado
20
Ladrão
O verso roubado
Técnica de peleja: o cantador inicia sua estrofe repetindo o último verso do adversário, para então superá-lo. Estratégia de disputa poética.
Pego seu verso caindo
E aqui faço outro melhor
Com mais rima e mais brilho
Que o do outro cantador
21
Ligeiro
O improviso veloz
Improviso em versos curtíssimos (5-6 sílabas). Prova a agilidade mental do cantador. Usado como 'aquecimento' em rodas de improviso.
Ligeiro eu vou
O verso formou
A rima chegou
O canto tocou
22
Recortado
Com paradas bruscas
Variação da embolada com paradas rítmicas bruscas e inesperadas. Confunde e deleita o ouvinte. Exige controle de respiração e timing preciso.
Recortado, recortado, para!
Volta, volta, volta, vira!
O verso que eu faço aqui
Ninguém consegue seguir!
23
Tirado de Oito
8 versos temáticos
Estrofe de 8 linhas onde as primeiras 6 desenvolvem o tema e as últimas 2 são a conclusão rimada. Formato muito usado em narrativas longas.
Oito versos em linha reta
Com tema que o outro propôs
O cantador que os aceita
Mostra que vale por dois
As seis primeiras desenvolvem
O tema com toda riqueza
E as duas últimas concluem
Com rima, arte e certeza.
24
Galo Cantando
O canto do amanhecer
Verso de 6 sílabas que imita o canto do galo ao amanhecer. Ritmo específico, associado ao início dos festivais e às madrugadas de cantoria.
O galo cantou
O dia clareou
O cantador
Já se preparou
Para o desafio
Da nova manhã
25
Soneto Repentista
14 linhas improvisadas
Soneto (14 linhas) improvisado ao vivo. Raramente executado. Considerado a prova máxima de mestria repentista. Combina a forma erudita com o improviso popular.
Quatorze versos feitos de improviso
É a prova máxima do repentista
O público fica estático e preciso
Ao ver este feito único e da lista
Dois quartetos abrem o sorriso
Dois tercetos fecham com a vista
De quem faz o soneto com juízo
Com arte, rima, metro e alta pista
26
Coco de Embolada
Poesia da dança do coco
Versão nordestina do coco com embolada. Associada a festas populares, terreiros e festividades. Verso curto, ritmo sincopado, muito dançante.
No côco de embolada
A roda gira e vai
A dança balançada
O verso que se sai
27
Baião Versado
Ritmo de Luiz Gonzaga
Forma poética associada ao baião. Métrica flexível que acompanha a melodia do baião. Evoca saudade, sertão e migração nordestina.
No baião versado do sertão
A sanfona toca e o verso canta
A saudade do meu torrão
É maior que o coração levanta
28
Quadra de Agalopado
A quadra veloz
Quadra (4 linhas) de versos decassílabos no ritmo agalopado. Combina a velocidade do martelo agalopado com a brevidade da quadra.
Na quadra de agalopado a dez
O cantador prova toda a habilidade
Com quatro versos apenas de uma vez
Demonstra toda a sua velocidade
29
Marco de Sete Pés
7 linhas de supremacia
Variante do marco com 7 linhas. O cantador declara sua superioridade em 7 versos, número sagrado na tradição do repente.
No marco de sete pés estou
Sou o rei desta cantoria
Ninguém que aqui chegou
Superou minha mestria
Meu verso não tem igual
Nem mesmo no litoral
Nem dentro nem fora do sertão
30
Pregão
O verso do vendedor
Verso curto e melódico usado por vendedores ambulantes nas feiras do Nordeste. Tem rima fácil, refrão repetitivo e serve para atrair compradores.
Compre, compre, compre o meu
O mais barato que tem aqui
Ninguém vende mais barato
No sertão e além de lá
Literatura de Cordel
Cante Lá
que eu
Canto Cá
Patativa do Assaré
Literatura de Cordel
Cante Lá
que eu
Canto Cá
Patativa do Assaré · Assaré, CE · 1909–2002
Cante Lá Que Eu Canto Cá2

Poeta, cantô da rua,

Que na cidade nasceu,

Cante a cidade que é sua,

Que eu canto o sertão que é meu.

✦ ✦ ✦

Você teve inducação,

Aprendeu munta ciença,

Mas das coisa do sertão

Não tem boa esperiença.

2
Cante Lá Que Eu Canto Cá3

Nunca fez uma paioça,

Nunca trabaiou na roça,

Não pode conhecê bem,

✦ ✦ ✦

Pois nesta penosa vida,

Só quem provou da comida

Sabe o gosto que ela tem.

3
Cante Lá Que Eu Canto Cá4

Amigo, não tenha quêxa,

Veja que eu tenho razão

Em lhe dize que não mexa

Nas coisa do meu sertão.

✦ ✦ ✦

Pois, se não sabe o colega

De quá manêra se pega

Num ferro pra trabaiá,

Por favô, não mexa aqui,

Que eu também não mexo aí,

Cante lá que eu canto cá.

4
Cante Lá Que Eu Canto Cá5

Mas porém, eu não invejo

O grande tesôro seu,

Os livro do seu colejo,

Onde você aprendeu.

✦ ✦ ✦

Pra gente aqui sê poeta

E fazê rima compreta,

Não precisa professô;

✦ ✦ ✦

Basta vê no mês de maio,

Um poema em cada gaio

E um verso em cada fulô.

5
Cante Lá Que Eu Canto Cá6

Eu não posso lhe inveja

Nem você invejá eu

O que Deus lhe deu por lá,

Aqui Deus também me deu.

✦ ✦ ✦

Pois minha boa muié,

Me estima com munta fé,

Me abraça, beja e qué bem

✦ ✦ ✦

E ninguém pode negá

Que das coisa naturá

Tem ela o que a sua tem.

6
Cante Lá Que Eu Canto Cá7

Aqui findo esta verdade,

Toda cheia de razão:

Fique na sua cidade

Que eu fico no meu sertão.

✦ ✦ ✦

Já lhe mostrei um ispeio,

Já lhe dei grande conseio

Que você deve toma.

Por favô, não mêxa aqui,

Que eu também não mexo aí,

Cante lá

Que eu canto cá.

7
De nada em nada, tudo.
Documentário Nordestino
Cante Lá Que Eu Canto Cá
Patativa do Assaré
Antônio Gonçalves da Silva
Assaré, CE · 1909–2002
In: Cante lá que eu canto cá
Ed. Vozes, Petrópolis, 1978
Recorte intencional,
não segue a sequência original.
Reprodução para fins culturais.
8
Uma biblioteca viva

Os Cordéis

Clique em qualquer folheto para ler.

Literatura de Cordel
Cante Lá Que Eu Canto Cá
Patativa do Assaré
Literatura de Cordel
A Chegada de Lampião no Inferno
José Pacheco
Literatura de Cordel
O Pavão Misterioso
João Melchíades Ferreira
Literatura de Cordel
São Saruê
Manoel Camilo dos Santos
Literatura de Cordel
A Triste Partida
Patativa do Assaré
Literatura de Cordel
Antônio Silvino
Leandro Gomes de Barros
Literatura de Cordel
A Donzela Teodora
Leandro Gomes de Barros
Literatura de Cordel
Peleja de Riachão com o Diabo
Leandro Gomes de Barros
Literatura de Cordel
ABC
ABC do Nordeste Flagelado
Patativa do Assaré
Literatura de Cordel
Juvenal e o Dragão
Leandro Gomes de Barros
Literatura de Cordel
O Retirante
Patativa do Assaré
Literatura de Cordel
$
O Dinheiro
Leandro Gomes de Barros
Literatura de Cordel
A Chegada do Homem na Lua
José Francisco Borges
Literatura de Cordel
O Cachorro dos Mortos
Leandro Gomes de Barros
Literatura de Cordel
Peleja do Cego Aderaldo
Firmino Teixeira do Amaral
Literatura de Cordel
O Boi Barroso
Patativa do Assaré
Literatura de Cordel
A Seca do Nordeste
Rodolfo Coelho Cavalcante
Literatura de Cordel
A Vida de Lampião
Rodolfo Coelho Cavalcante
Literatura de Cordel
O Romano da Mãe Viúva
Leandro Gomes de Barros
Literatura de Cordel
O Pobre e o Rico
Leandro Gomes de Barros
Parceria estratégica
Mais que apoio, um palco

Podcast
Nordestino

O maior canal de conversa sobre o Nordeste na internet vai exibir o documentário na íntegra, seguido de debate ao vivo com poetas convidados. Não é patrocínio. É um palco com audiência real.

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O que estamos construindo

Entregáveis

Captação ativa. Assim o projeto chegará ao Nordeste e ao mundo:

1
Websérie
Episódios documentais para plataformas digitais. Histórias reais de poetas do Nordeste.
Em captação
2
Média-Metragem
Filme documental para festivais e circuito cultural nacional.
Em captação
3
Podcast
Conversas longas com poetas e guardiões da tradição oral nordestina.
Em captação
4
E-book
Publicação com fotografia, reportagem e formas poéticas. Distribuição gratuita.
Em captação
5
Portal Digital
Site permanente sobre a poesia nordestina. Acervo vivo e gratuito para sempre.
Ativo
Status atual

Em andamento

Aprovado pelo Ministério da Cultura. Captação de recursos ativa.

AprovaçãoLei Rouanet
CaptaçãoEm andamento
ProduçãoRodagem
LançamentoFestivais
Fase atual

Captação via Lei Rouanet (PRONAC 258413). Empresas com IR a pagar podem patrocinar sem custo real. Patrocinadores recebem visibilidade e relatórios de impacto.

Patrocínio cultural

Como apoiar

O projeto está aprovado pela Lei Rouanet. Por meio dela, empresas podem destinar parte do imposto de renda para financiar projetos culturais aprovados pelo Ministério da Cultura.

O patrocinador não desembolsa recursos próprios. Utiliza renúncia fiscal que já seria paga ao governo e converte em visibilidade de marca e impacto cultural mensurável.

Ao apoiar "De nada em nada, tudo.", sua empresa financia um registro histórico permanente e associa sua marca a um projeto de alta credibilidade e alcance nacional.

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  • Vinheta em todos os episódios
  • Participação no lançamento ao vivo no Podcast Nordestino
  • Conteúdo exclusivo para uso institucional
  • Ativações presenciais em mínimo 15 cidades nordestinas
  • Presença permanente neste portal digital
Bourbon Films
Uma realização

Bourbon Films

Produtora audiovisual fundada em 2016, sediada em Campina Grande, PB. Trabalhamos no segmento de documentário, vídeo institucional, comunicação política e cultura. Este projeto nasce da convicção de que o audiovisual tem responsabilidade com o território em que existe.

Com dois projetos aprovados pela Lei Rouanet, a Bourbon Films aposta na produção de documentários e filmes institucionais de grande formato. De nada em nada, tudo. é o nosso compromisso mais profundo com a cultura do Nordeste.

@bourbonfilm bourbonfilms.com.br
Realização e apoio institucional
Ministério da Cultura | Governo do Brasil Lei de Incentivo à Cultura
Fazenda Coruja Podcast Nordestino Bourbon Films